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​Transtorno de ansiedade: mente no futuro, sofrimento no presente - Dr. Otávio Mangili




Dr. Otávio Mangili

É muito frequente no consultório do cardiologista que se faça o diagnóstico de transtorno de ansiedade. Isso porque a pessoa que está ansiosa normalmente tem sintomas físicos bastante pronunciados, a ponto de achar que tem alguma doença física grave. Esses sintomas, bastante comuns no nosso dia-a-dia, vão de dor no peito e falta ar a palpitações incomodas, que podem mesmo acordar o paciente durante a noite. Claro que sempre é necessária uma avaliação médica presencial, uma vez que tais sintomas podem realmente corresponder a uma doença cardíaca.

Nossa geração padece desse mal, a ansiedade. Temos uma urgência incontrolável para tudo e temos o pensamento sempre voltado para o momento futuro. E esse futuro normalmente é recheado de receios e perigos. Afinal, a ansiedade é a antecipação de ameaça futura.  Pensamos em vários temas ao mesmo tempo, que vão se sucedendo alucinadamente em nosso painel mental. Temas normalmente de baixa qualidade e com pouca correspondência com a realidade. Assim, desperdiçamos nossa energia vital e nos sentimos sempre cansados e indispostos. Com isso deixamos de desfrutar da única coisa que é nossa de fato, o presente. E, por não viver o presente, deixamos que a vida passe e muitas vezes descobrimos que vida passou tarde demais para a resgatarmos.

Mas quais os critérios que a medicina usa para dizer que alguém está com Transtorno de Ansiedade? São eles (de acordo com DSM-V):

A. Ansiedade e preocupação excessivas (expectativa apreensiva), ocorrendo na maioria dos dias por pelo menos seis meses, com diversos eventos ou atividades (tais como desempenho escolar ou profissional).

B. O indivíduo considera difícil controlar a preocupação.

C. A ansiedade e a preocupação estão associadas com três (ou mais) dos seguintes seis sintomas (com pelo menos alguns deles presentes na maioria dos dias nos últimos seis meses). Nota: Apenas um item é exigido para crianças.

1. Inquietação ou sensação de estar com os nervos à flor da pele.

2. Fatigabilidade.

3. Dificuldade em concentrar-se ou sensações de “branco” na mente.

4. Irritabilidade.

5. Tensão muscular.

6. Perturbação do sono (dificuldade em conciliar ou manter o sono, ou sono insatisfatório e inquieto).

A ansiedade tem tratamento. Ele passa muitas vezes por medicações para alívio dos sintomas e psicoterapia. São também ferramentas úteis neste quadro a atividade física regular e prática de técnicas de alívio de estresse, como Ioga ou Meditação Transcendental.

www.otaviomangili.com.br 

Dr. Otávio Celeste Mangili - CRM: 19284-PR / RQE: 14354
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (2001). Residência Médica nas especialidades de Clínica Médica pela Universidade Estadual de Londrina (2002-2004) e Cardiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (2004-2006). Foi médico pesquisador da Unidade Clínica de Dislipidemia do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP) (2006-2012). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, programa Cardiologia no ano de 2012. Médico Pesquisador do Parana Medical Research Center.




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