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Que tal um abraço de felicidade? - Dr. Otávio Mangili




Dr. Otávio Mangili

Você já ouviu falar de um hormônio chamado ocitocina? Quando estudei medicina, lá pelos idos da década de 1990, aprendemos que é um hormônio produzido pela neuro-hipófise e que tem função de contração uterina durante o parto e na ejeção do leite materno no pós parto. E isso está certo, mas de lá pra cá descobrimos muito mais sobre esse hormônio cerebral. Começo por algo bem óbvio: sabemos hoje que ela atua no sentimento maternal de pertencimento e proteção com seu recém-nascido, indefeso e carente de cuidado e atenção. É o esplendor da sabedoria da Natureza, é o instinto maternal.

Não sabíamos completamente àquela altura  que a ocitocina é um dos grandes neurotransmissores (sinalizadores) cerebrais e que, junto com serotonina, dopamina e endorfina, é responsável por grande parte de nossas experiências de satisfação e felicidade. Eles possuem a função de aumentar as sensações de bem-estar e diminuir estresse, ansiedade e melhorar quadros de desânimo e humor deprimido.

A ocitocina, tanto em mulheres como em homens, tem uma série de efeitos benéficos, que vão muito além de suas funções na gestação e puerpério. Sua liberação ocorre principalmente pelo contato físico, pele a pele, com outras pessoas. O que, contato? Sim contato, aquela atitude que, no momento, estamos nos privando grandemente e sentindo muita falta. A ocitocina pode ser considerada o hormônio do abraço, uma vez que esse ato é capaz de estimular em muito a sua liberação no cérebro e corrente sanguínea. Além do contato físico, como no ato de abraçar, gestos de atenção e palavras afetuosas também aumentam a atividade desse neurotransmissor.

E, afinal, o que há de tão benéfico na ocitocina? Ela tem efeito de diminuir o estresse, a ansiedade e sintomas depressivos. Sabe aquele dia que você está mais triste, não lhe parece faltar um abraço? Então, seu cérebro já sabe que a ocitocina liberada neste ato tão simples vai ajudá-lo a sair de um estado psicológico ruim. Ela diminui sensação de medo e promove sentimento de acolhimento e pertencimento. É realmente como sentir-se abraçado.

Como outros benefícios da ocitocina podemos citar o maior prazer sexual e maior integração e afetividade entre parceiros sexuais. Também ocorre menor necessidade de consumo de substâncias com efeito psicoativo e menor propensão a abuso de álcool e drogas. Como a ocitocina está ligada ao desenvolvimento de confiança, os indivíduos passam a ter mais segurança em se relacionar com outras pessoas. As percepções das expressões emocionais e sensibilidade também são beneficiadas, facilitando a empatia e ligação nos relacionamentos.

Enfim, você nem sabia que tudo o que sente de bom ao abraçar ou ter contato com outra pessoa vinha dessa tal ocitocina. Só sabia que se sentia bem com isso e, certamente, essa é a parte mais importante. E provavelmente, com esse fenômeno chamado distanciamento social, está sentindo muita falta de um carinhoso abraço. Pois saiba que a Natureza, em toda usa sabedoria, criou um mecanismo bioquímico lindo para que pudéssemos sentir prazer em nossa convivência social. E que falta nos faz um grande e carinhoso abraço!

www.otaviomangili.com.br

Dr. Otávio Celeste Mangili - CRM: 19284-PR / RQE: 14354
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (2001). Residência Médica nas especialidades de Clínica Médica pela Universidade Estadual de Londrina (2002-2004) e Cardiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (2004-2006). Foi médico pesquisador da Unidade Clínica de Dislipidemia do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP) (2006-2012). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, programa Cardiologia no ano de 2012. Médico Pesquisador do Parana Medical Research Center.




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