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O Poder do Perdão - Dr. Otávio Mangili




Dr. Otávio Mangili

Começo este texto citando Jesus Cristo. Acreditando ou não na sua divindade, pode-se atribuir a seus ensinamentos a posição ímpar do perdão como exercício de Humanidade. No Livro de Mateus, capítulo 18, está a célebre passagem: “Então Pedro se aproximou dele e disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”. Será que encontramos algum respaldo na ciência de tamanho ensinamento?

Vamos lá. Primeiro vamos falar dos efeitos danosos de não perdoar, ou seja, de guardar mágoa de pessoas, de acontecimentos ruins na nossa vida ou até mesmo de nossos próprios erros.  A mágoa interfere nos sistemas hormonal e imunológico.Pessoas magoadas disparam no corpo uma reação chamada reflexo de fuga-ou-luta, que aumenta a quantidade de adrenalina e de cortisol (o hormonio do estresse). Isso leva a aumento de pressão arterial, de frequência cardíaca e do risco de morrer do coração. O excesso de cortisol, cronicamente, também pode levar a diabetes e  obesidade (sim, amargura leva a aumento de peso, acredite!). Além disso, no longo prazo isso leva a alterações no sistema imune, aumenta risco de doenças reumatológicas e até de certos tipos de câncer.

E o perdão? Tem benefício para nossa saúde? Um estudo de 2011 do Journal fo Behavioral Medicine mostrou que pessoas que praticam perdão incondicional tem menor propensão a morrer mais cedo do que indivíduos que não perdoam ou que precisam que o ofensor peça desculpas ou prometa não cometer mais o erro. Se a mágoa ativa a produção de adrenalina na circulação, o perdão, por outro lado, diminui sua atividade e, por consequência, a pressão arterial. O perdão também esteve relacionado, em diversos estudos, com melhora de qualidade do sono, da disposição física e diminuição de risco de depressão. Nosso sistema imunológico também se beneficia do perdão. Um estudo com pacientes portadores de HIV, por exemplo, mostrou que aqueles mais inclinados ao perdão, tinham atividade melhor das células de defesa (os linfócitos CD4).

Ou seja, existe grande benefício da prática do perdão para sua saúde física e para o bem-estar emocional. Perdoar-se e perdoar aos que nos  rodeiam aumenta a longevidade e nos torna mais felizes e realizados. Que tal começar? O maior beneficiado, no final das contas, é você mesmo.

www.otaviomangili.com.br

Dr. Otávio Celeste Mangili - CRM: 19284-PR / RQE: 14354 
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (2001). Residência Médica nas especialidades de Clínica Médica pela Universidade Estadual de Londrina (2002-2004) e Cardiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (2004-2006). Foi médico pesquisador da Unidade Clínica de Dislipidemia do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP) (2006-2012). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, programa Cardiologia no ano de 2012. Médico Pesquisador do Parana Medical Research Center.




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