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Gratidão, exercício para dias difíceis - Dr. Otávio Mangili




Dr. Otávio Mangili

A gratidão é um sentimento positivo, é a avaliação de que algo ou alguém lhe trouxe benefício. Já escrevi sobre ela no passado. Nos dias que estamos vivendo, o sentimento de gratidão tem oscilado bastante em mim e imagino que em todos os que me lêem neste momento. Ora sinto-me grato por ter boa saúde, uma casa, enfim uma estrutura para passar por essa crise, mas confesso que às vezes bate uma certa insegurança dentro desse barquinho nagevando em um mar tão revolto.

Mas, mesmo com toda essa turbulência, vale a pena relembrar o que já dissemos em outra ocasião. A ciência tem descoberto recentemente que o simples ato de agradecer pode mudar em muito a nossa saúde física e emocional. Ela tem sido relacionada a diminuição de agressividade, melhora de ansiedade e depressão, melhora da qualidade do sono e maior qualidade nos relacionamentos afetivos. A Gratidão melhora nossa auto-estima e aumenta nosso equilíbrio mental.

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode levar até mesmo a mudanças no funcionamento cerebral. Um artigo publicado no jornal científico NeuroImage (The effects of gratitude expression on neural activity, Prathik Kini, Joel Wong, Sydney McInnis, Nicole Gabana & Joshua W. Brown, Indiana University, Bloomington, United States, in NeuroImage, Volume 128, March 2016, Pages 1–10.) mostra que, depois de poucos meses exercitando sua gratidão por meio da escrita, seu cérebro passa a se sentir ainda mais condicionado a ser grato. E isso traz benefícios. Neste experimento,  43 indivíduos que passavam por terapia para tratar depressão e problemas relacionados a ansiedade, foram divididos em 2 grupos. Todos tinham uma terapia semanal, mas um dos grupos tinha uma “sessão de gratidão”, que era constituída de vinte minutos escrevendo cartas em que revelavam gratidão pelo destinatário (e poderiam escolher se enviariam ou não a carta). O outro grupo não participou desse exercício.

Três meses depois desses encontros, todos passaram por um escaneamento cerebral simultaneamente à exibição de fotos de pessoas que teriam feito grandes doações de dinheiro à pesquisa. Os participantes precisavam agradecer a eles pelo investimento, enquanto seus cérebros eram examinados. Todo mundo sabia que era apenas um exercício, mas foi dito a cada um deles que as doações realmente seriam feitas em algum momento. Incrível, mas quem escreveu as cartas demonstrou mais atividade cerebral nas áreas relacionadas à gratidão. E o mais legal deste estudo é que ele revelou que a gratidão pode ser exercitada. Ou seja, quanto mais se pratica, mais propenso você estará para senti-la no futuro.

Outra dica para exercitar esse sentimento tão poderoso é fazer uma caderneta de gratidão.  Nesta caderneta relacione 5 coisas pelas quais você se sente grato, como um ato de generosidade de alguém com você, um programa legal que tenha feito ou um novo aprendizado. Escreva somente 01 vez por semana e relacione uma frase que demonstre gratidão para cada um dos 5 itens. Pois esse exercício não é invenção minha! Ele já foi realizado em pesquisas prévios, que demonstraram que, em comparação com o grupo de controle, os indivíduos que mantiveram o diário de gratidão eram mais otimistas e mais felizes. Eles relataram menos problemas físicos e passaram mais tempo se exercitando.

Que tal começar a exercitar sua gratidão? Com a vida em suspenso como estamos, esta aí uma boa oportunidade para refletir e exercitá-la.

www.otaviomangili.com.br

Dr. Otávio Celeste Mangili - CRM: 19284-PR / RQE: 14354 
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (2001). Residência Médica nas especialidades de Clínica Médica pela Universidade Estadual de Londrina (2002-2004) e Cardiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (2004-2006). Foi médico pesquisador da Unidade Clínica de Dislipidemia do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP) (2006-2012). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, programa Cardiologia no ano de 2012. Médico Pesquisador do Parana Medical Research Center.




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