SAÚDE | SAÚDE

A batalha do EU - Dr. Otávio Mangili




Dr. Otávio Mangili, médico cardiologista

Seguimos na luta para vencer essa pandemia. A humanidade é rica de idéias e exemplos que nos servem para esse momento tão singular da história. Hoje quero falar um pouco com vocês sobre um livro tão antigo que não se tem nem idéia exata de quando surgiu, mas acredita-se que seja do século 6 a.C. Esse livro é o Bhagavad Gita, um poema épico cuja autoria é atribuída a Vyasa. Sua estória transcorre-se no campo de Kuruksetra, palco de uma guerra fraticida entre 2 famílias e seus aliados, os Pandavas e Kouravas, que eram primos entre si e que teria deixado milhões de mortos.

Questiona-se muito se essa guerra de fato existiu. Mas o Bhagavad Gita tornou-se uma referência dentro da sabedoria indiana e é um dos pilares da religião Hindu. Ele narra a conversa entre o arqueiro Arjuna e o cocheiro de sua carruagem de guerra, o senhor Krishna, que representa Deus em diálogo com o guerreiro herói. Só que essa guerra é uma grande metáfora entre nosso Eu elevado, aquele que aspira ao Divino e que tem necessidade de cumprir sua missão (que na tradição Hindu é chamada de Dharma), simbolizado na historia por Arjuna, e o eu inferior, ligado a reações instintivas e egoístas, representado por seu primo e oponente Duryodhana.

Durante todo o diálogo, o Senhor Krishna reforça a necessidade de Arjuna cumprir o que pede seu Eu elevado. A narrativa é longa, cheia de metáforas e lições que podemos aproveitar para nossa vida e, embora seja de difícil leitura, recomendo-a. Afinal, todos vivemos essa luta entre nosso Eu, aquele está perto de Deus, aquele que aspira ao Infinito, que tem sede de justiça e perfeição, e nossas necessidades pequenas e egoístas.

Existe um dilema mais atual? Qual o propósito existencial de tudo o que estamos vivendo? Será que seremos capazes de domar nosso instinto de sobrevivência, tão aflorado quando estamos acuados e com medo? Seremos capazes de identificar essa missão (Dharma) e cumpri-la para o bem maior do gênero humano? Sugiro que comecemos dentro de casa, afinal é lá que estamos confinados nestes dias. Que tal desenvolvermos a tolerância com nossos familiares, acolhermos uns aos outros fraternalmente, exercitarmos as ditas virtudes cardeais: a temperança, a prudência, a fortaleza (coragem) e justiça. Essas virtudes se complementam à outras 3 (fé, esperança e caridade).

Olhem que metáfora mais curiosa o Destino nos reservou. Temos que começar de dentro de casa, não há mais como fugir. Que momento temos, à força e contragosto claro, para encontrarmos nosso Eu mais elevado e auxiliarmos aqueles que em nosso lar convivem. E que Deus renove nossas forças.

www.otaviomangili.com.br

Dr. Otávio Celeste Mangili - CRM: 19284-PR / RQE: 14354 
Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (2001). Residência Médica nas especialidades de Clínica Médica pela Universidade Estadual de Londrina (2002-2004) e Cardiologia pelo Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP (2004-2006). Foi médico pesquisador da Unidade Clínica de Dislipidemia do Instituto do Coração (InCor/HCFMUSP) (2006-2012). Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP, programa Cardiologia no ano de 2012. Médico Pesquisador do Parana Medical Research Center.




COMENTÁRIOS







VEJA TAMBÉM